Olá amigos.
No decorrer destes últimos anos venho recebendo muitos e-mails com pedidos de informações sobre o instrumento flauta doce, os métodos, as digitações de sua escala e de como ter uma iniciação musical sem professor. Este momento chegou, estamos prontos para iniciar com esta página mais uma etapa de contribuição para este valoroso instrumento: a flauta doce.
Com o advento do computador e da internet o "Ensino à Distância" ganhou novo fôlego encurtando distâncias e atingindo novos horizontes. A soma de várias tecnologias aplicadas ao ensino, possibilita um aprendizado dinâmico com os recursos áudio-visuais. Os sons, as imagens, as palavras, os vídeos... enriquecem a forma de aprender, e esta possibilidade é oferecida a qualquer pessoa com um computador e uma conexão para internet. Assim, o saber e o aprender extrapolam limites geográficos facilitando e melhorando a vida das pessoas sob o ângulo da comunicação e da educação. Vamos nos utilizar inicialmente destes recursos (computador e internet) e possivelmente ampliá-los para outras mídia futuramente.
Com esta visão, este espaço está dedicado aos internautas visitantes deste site
que tenham a necessidade de uma iniciação musical através da flauta doce.
O que aqui está posto é a iniciação do leigo que por um situação adversa
não tem um professor. Também para o visitante empolgado, curioso, que se
decidiu estudar ou para aqueles que procuram uma dica para o seu aprendizado. A
intenção desta simples página com esta visão de Ensino à Distância começa com explicações simplificadas e resumidas da Teoria Musical
que o aluno deve cumprir como primeira etapa para compreender melhor a
iniciação do instrumento flauta doce aqui abordada.
Tenham um bom
proveito.
Campina Grande, Pb, Brasil.
01/07/2001.
Prof. Romero Damião

Teoria Musical (Uma abordagem
pedagógica)
O som tem algumas propriedades importantes.
Duração: é o tempo de produção do
som.
Altura: é a propriedade do som ser
mais grave ou mais agudo.
Intensidade: é a propriedade do som ser mais forte ou mais fraco.
Timbre: é a qualidade do som que permite uma pessoa reconhecer sua
origem.
Na escrita musical, estas propriedades do som são representadas assim:
Duração: pela figura da nota e pelo
andamento.
Intensidade: pelos sinais de dinâmica.
Altura: pela posição da nota no
pentagrama.
Timbre: pela indicação da voz ou
instrumento que deve executar a música.
O som musical é representado no papel por um sinal chamado nota.
A figura da nota varia, de acordo com a duração do som.
As partes que compõem a nota são:
Pentagrama: é um conjunto de cinco
linhas horizontais eqüidistantes e quatro espaços.
Clave: é um sinal que se escreve
no pentagrama para dar nome às notas.
Existem três claves: de sol, de dó e de fá. São
assim chamadas porque nas linhas onde são escritas, se encontram as notas: sol,
dó, fá.
Os sons musicais de acordo com a sua altura, recebem os
seguintes nomes: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. Esses nomes se repetem de sete
em sete do mais grave para o mais agudo.
Oitava: dá-se o nome de oitava ao
conjunto de notas existentes entre uma nota qualquer e a sua primeira repetição
no grave ou no agudo.
A figura da nota indica a duração do som.
As figuras atualmente usadas são as seguintes:

Começando da semibreve, que tem a maior duração,
cada uma dessas notas vale duas da seguinte:
As figuras:

Suas pausas:

As pausas obedecem a mesma proporção das figuras, isto é, cada qual
vale duas da seguinte.
Ponto de aumento: é um ponto que se
escreve à direita da nota para aumentar metade do seu valor. O ponto de aumento
também é usado nas pausas com o mesmo resultado. A nota ou pausa com ponto de
aumento se chama “nota pontuada”, ou “pausa
A repetição de compassos pode ser abreviada por
sinais. Quando muitos compassos se repetem usamos a barra dupla com dois pontos
chamados de ritornello para voltarmos ao começo da música. Ao encontrarmos o
terceiro ritornello, voltamos para o segundo conforme o exemplo.

Quando o trecho deve ser repetido do início, usamos a
expressão “Da capo” ou abreviamos com D.C.
Compasso: é a divisão da música em
pequenas partes de duração igual ou variável.
Barra de compasso: é uma linha
vertical que separa os compassos.
Usa-se a barra dupla para separar seções da música,
ou para concluí-la que neste caso é mais grossa.
Tempo: é uma parte do compasso.
Os compassos podem ter tempos diferentes:
Compasso binário:
tem 2 tempos
Compasso ternário:
tem 3 tempos
Compasso quaternário: tem 4
tempos
Unidade de tempo: é a nota que
representa um tempo do compasso. As mais usadas são a mínima, a semínima e a
colcheia.
Exemplos:
Unidade de tempo de mínima:
Unidade de tempo de semínima:
Unidade de tempo de colcheia:

Compasso simples: é aquele em que a
unidade de tempo tem um valor simples.
Exemplo:
Compasso composto: é aquele em que a
unidade de tempo tem um valor composto.
Exemplo:
Fórmula do compasso: são dois números
que indicam a unidade de tempo e o número de tempos do compasso. É escrita no
início da música, logo após a clave.
Fala-se: “dois por quatro”, “seis por oito”.
O número inferior da fórmula, tanto nos compassos
simples como nos compostos, representa as seguintes notas:
No compasso simples o número inferior indica a unidade
de tempo e o superior o número de tempos.
No compasso composto, o número inferior indica as
notas em que se subdivide a unidade de tempo e o superior, o total dessas notas
num compasso.

Agora vamos começar a nossa aula utilizando uma flauta doce soprano.
O Pé
O Bocal
O corpo
Para a
realização dos exercícios nesta fase inicial do aprendizado, segure a
flauta fechando a mão direta entorno do pé. Só a mão direta segura a flauta.
Para obter o som, pouse suavemente o bocal da flauta sobre o lábio inferior e
cubra-o levemente com o lábio superior. O sopro deve ser firme como o apagar da
chama de uma vela. Emita este sopro como um ataque, pronunciando um tut.
Se você assim o fizer estará emitindo um lindo som com a sua flauta.
Lição 1
Notas na flauta.
O ponto preto deslocado é do dedo polegar, e os
outros são o indicador, o médio e o anular da mão esquerda, tapando os buracos da
flauta do bocal para o pé.
Assim fazendo o aluno estará digitando as notas Sol,
Lá e Si.
Com a digitação de cada uma das notas, realize agora um sopro suave como se
soprasse uma vela pronunciando um tut. Treine para que você consiga um som
doce, cheio, vibrante. A intensidade do sopro vai até onde o som produzido
na flauta não esguichar. Treine este limite.(Continue pegando a flauta pelo
pé).
Notas no Pentagrama
Exercícios
Notas de Quatro Tempos

Os exercícios estão escritos em compassos quaternários. O aluno deve contar mentalmente 1, 2, 3, 4, enquanto toca na flauta cada uma das notas musicais
escritas no pentagrama. Outra forma seria bater com o pé ou balançar o corpo
para frente e para trás, enquanto conta os tempos. Faça inicialmente a leitura
das notas, pronunciando seus nomes. Se você conseguir lê-las no tempo, com
certeza irá tocá-las corretamente.
Cada nota deve ser iniciada com um novo sopro. Passe para o exercício seguinte
somente quando estiver tocando fluentemente este exercício.(Continue
pegando a flauta pelo pé).
Notas De Dois Tempos

O mesmo se aplica com as notas de dois tempos. Cuidado com a nota final (quatro
tempos).
Notas De Um Tempo

Sempre um novo sopro para cada nota. O ataque da nota é muito importante para o
aluno emitir o som limpo e suave da flauta doce. Sopre como se apagasse uma vela, pronuncie um
tut.
Dicas Da Primeira Lição
Faça este treinamento durante uma semana, todos os dias, três vezes ao dia em
intervalos pequenos de meia hora, só então passe para a lição 2. Lembre-se
de que um erro repetido torna-se um aprendizado difícil de ser corrigido.
Portanto estude corretamente com dedicação e disciplina. É muito importante
esta fase do seu aprendizado, ele ficará registrado para sempre na sua memória
musical.
Corrija seu sopro (tut). Marque os tempos (1, 2...). Cada nota um novo sopro e
respire à vontade sempre que tiver necessidade.(Continue
pegando a flauta pelo pé).
Lição 2
Notas na flauta

A novidade nesta lição é o Si2. Soando igual ao Si1 ele tem uma importância enorme como uma técnica para o flautista executar melhor suas músicas. Portanto estude com dedicação para nesta fase dominar o Si2 e registrar na sua memória musical uma técnica primorosa.
Notas no Pentagrama

Exercícios
Nota de Quatro Tempos

Notas de Dois Tempos

Notas de Um Tempo

Na escala ascendente use o Si1. Na escala descendente use o Si2.
Notas de Meio Tempo

Como executar as notas de meio tempo? Lembra-se daquela dica de bater o
pé? Imagine o movimento do pé, para baixo e para cima. As notas de meio tempo
serão executadas uma quando o pé baixar e a próxima quando o pé levantar.
Assim o movimento do pé executando as notas de um tempo agora subdivide-se em
duas secções para formar dois meios tempos. No exercício acima o aluno toca o
sol quando baixar o pé e toca o si quando levantar. No momento seguinte toca o
lá quando baixar o pé e toca o dó quando levantar. O movimento pode ser
batendo o pé ou balançando o corpo para frente e para trás.
Músicas




A nossa aula termina aqui. O aluno agora pode seguir seu caminho por um outro
meio. Matricular-se numa escola de música, conservatório, ou ter o seu
professor particular.
O método que aqui utilizei é do Prof. Hemult Monkmeyer, "Método
Para tocar Flauta Doce Soprano" da Editora Ricordi do Brasil, que esta à
venda em lojas do ramo. Este método há muito utilizado no Brasil foi por mim
escolhido para este trabalho por considerá-lo de fácil acesso em nosso meio e
por ter uma ótima abordagem para o iniciante. O mesmo posso dizer das
definições da Teoria Musical que são um apanhado do Prof. Osvaldo
Lacerda.
Espero ter dado um passo inicial na vida artística do futuro flautista e,
se algum florescer, terei cumprido a minha tarefa.
P.S. Para aqueles curiosos que estes ensinamentos ainda não foram
suficientes e desejam se aventurar num aprendizado autodidata vou
satisfazê-los com as digitações das
notas na flauta soprano.
Sua participação será sempre bem vinda, com dicas e sugestões. Mande um
e-mail.
Prof. Romero Damião.
